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sábado, 21 de abril de 2018 - 16h20min

 
Oficinas mobilizam cerca de 700 pessoas

A participação de mais de 700 pessoas nas oficinas, iniciadas na tarde desta quinta-feira, ratificou o êxito do Congresso Internacional Crack e outras Drogas. Nas 16 salas reservadas para as apresentações e debates, no Anexo 1 do campus central da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a dinâmica intensa apontou um público qualificado e altamente interessado nos diferentes temas e abordagens do evento.

Em uma delas estavam o deputado federal Carlos Eduardo Vieira da Cunha, o médico mexicano Ricardo Sánchez Huesca e o secretário executivo adjunto do Ministério da Justiça e coordenador do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania, Ronaldo Teixeira da Silva. Mediados pelo promotor de Justiça e vice-presidente da Fundação Escola do Ministério Público, Amílcar Fagundes Freitas Macedo, eles dialogaram com profissionais das áreas da saúde, segurança pública e educação, entre outras, sobre o tema "Políticas públicas de enfrentamento às drogas no Brasil e no México". Em outra, intitulada "Por dentro da lata", o promotor aposentado e jornalista Cláudio Brito coordenou o diálogo da pesquisadora científica do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo, Solange Nappo, e os coordenadores da Central Única das Favelas no Rio Grande do Sul, Ivonete Pereira dos Santos, e no Ceará, Preto Zezé. "Foi um momento importante para mergulharmos na realidade das famílias que convivem diariamente com o problema", avaliou Brito.
A oficina “Prevenção e Mídia”, coordenada pelo professor Sérgio Nicoaliewski, contou com a participação de Fernando Rossetti, Miguel Granato Velasquez e Alceu Nascimento. Sociólogo e comunicador, Rossetti apresentou as alternativas, dificuldades e os desafios para produzir mídia com os jovens visando ao trabalho de prevenção. "É possível trabalhar com os jovens dentro da escola, o que representa um grande desafio, e fora, em algum projeto da sociedade civil". Segundo ele, a realização de oficinas de trabalho foi uma excelente possibilidade de intercâmbio sobre o assunto com os participantes.
Alceu Nascimento, presidente da Fundação Maurício Sirotsky Sobrinho, falou sobre a abordagem da mídia a respeito da drogadição. Reconheceu que existem muitas críticas relacionadas à maneira como a mídia trata do assunto. Nascimento apresentou experiências e sugeriu um debate com os participantes com a finalidade de oferecer outros caminhos, de forma que o público possa fazer uma reflexão mais consistente sobre o tema.
A reinserção social foi mais um dos temas abordados nas oficinas do congresso. Com o objetivo de discutir propostas para a ressocialização dos usuários de drogas, o debate contou com a participação da terapeuta de Família Mara Lins, da promotora de Justiça Angela Salton Rotunno, e do psiquiatra argentino Eduardo Kalina. Mara Frisou que é preciso tratar não só o usuário, mas também os parentes. Além disso, segundo ela, é necessário observar o lado do profissional que se envolve com o tema. Por se tratar de um problema social que só recentemente vem sendo abordado, os profissionais ficam, em muitos dos casos, sem saber como lidar com a situação.
Outro grupo trabalhou, fundamentalmente, o exame da ação dos policial, com propostas decorrentes das discussões travadas com os participantes, desenvolvidas a partir da lei que trata do tráfico e do uso abusivo de entorpecentes. O coronel da Brigada Militar Flávio da Silva Lopes e o promotor de Justiça Victor Hugo de Azevedo Neto, expositores da oficina, acreditam que a ação policial tem sido deficiente em diversos aspectos. “Por mais êxito que se logre êxito na prisão de alguns grandes traficantes, a empresa criminosa continua agindo. Então, em termos de resultado para a sociedade, não faz muita diferença” afirma Azevedo. Ele sugeriu que o Estado brasileiro trabalhe com mais força para desestruturar as organizações criminosas, que atuam como verdadeiras empresas, do que especificamente na prisão de grandes nomes do tráfico.

 
 
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